Os trabalhos de conservação e restauro neste monumento foram realizados em 2005, entre julho e setembro, envolvendo o retábulo-mor, a pintura do teto, as pinturas e o reboco das juntas das janelas da capela-mor e a pintura da porta de acesso à sacristia.

O retábulo-mor, datado do primeiro quartel do século XVIII, em estilo barroco nacional, foi executado em talha dourada sobre madeira de castanho.
A pintura no teto foi elaborada sobre madeira de castanho de configuração denominada caixotones. A primeira fila junto ao retábulo será do mesmo período do retábulo-mor, mas o restante teto do século XIX.
A pintura da porta da sacristia será, provavelmente, do século XIX, tendo sido efetuada sobre madeira de castanho em estilo artístico indefinido, à semelhança da realizada nas janelas da capela-mor. Estas pinturas policromáticas sobre pedra de granito serão, igualmente, do mesmo período, mas de fraco valor artístico.
Os tratamentos efetuados para fixação das superfícies policromadas e douradas envolveram a aderência dos destacamentos das camadas da obra por intermédio de um adesivo assente com uma espátula metálica.
Aplicou-se, seguidamente, uma resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato diluída a 10 por cento com hidrocarboneto aromático.
Na revisão e reforço estrutural da estrutura fixaram-se os tardozes do interior do retábulo-mor e nas superfícies exteriores, através de parafusos de aço inoxidável. Os elementos fraturados foram fixados e as juntas e fendas abertas unidas com resina do tipo acetato de polivinilo e por aperto mecânico e parafusos de aço inoxidável.

Procedeu-se à desmontagem de elementos volumétricos em vias de destacamento por via mecânica, fixando-os através de elementos metálicos inoxidáveis e unidos com resina do tipo acetato de polivinilo e aperto mecânico por meio de grampos.
A tribuna do retábulo-mor foi desmanchada e remontada com apainelados de contraplacado marítimo, no qual foram fixados os fragmentos de talha existentes no local, provenientes do teto original da capela-mor, mas que já não se encontravam na sua forma inteira, procedendo-se à restauração do painel central.
As madeiras receberam um tratamento de imunização contra o ataque de insetos xilófagos e microrganismos, através da aplicação por pulverização e injeção de produto inseticida/fungicida. Visando a consolidação e reforço das zonas de madeira fragilizada e com fraca resistência mecânica, aplicou-se resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluído em solvente com volatilidade média e em concentrações crescentes de 8, 15 e 20 por cento, por injeção e pincelagem.
Os elementos metálicos existentes foram objeto da remoção mecânica da oxidação superficial e estabilização deste processo através da aplicação de ácido tânico, dissolvido em água destilada e etanol, protegido com verniz antioxidante.
A zona do sacrário foi totalmente removida e reconstruída, utilizando contraplacado marítimo fixo através de parafusos de aço inoxidável. Também o nicho de trono do retábulo-mor sofreu uma reconstrução, designadamente o primeiro degrau, que apresentava, ao meio, uma abertura em arco de volta perfeita que estava tapada.
As superfícies policromadas receberam uma limpeza química com solventes orgânicos e inorgânicos isolados ou misturados. As lacunas foram preenchidas com gesso acrílico e nivelamento com papel abrasivo de granulometria entre 100 e 150, enquanto a reintegração cromática das lacunas douradas e policromadas, que provocavam interferência na leitura estética do retábulo-mor, foi executada com recurso a técnicas de abstração de cor e mimetismo, no caso das lacunas de menor dimensão, e de trateggio para as maiores. Neste sentido, recorreu-se a pigmentos aglutinados em resina acrílica.
O douramento ocorreu ao nível da predela, zona do sacrário, sotobanco e teto da tribuna, a par da sua reconstrução, utilizando-se a técnica a mordente com ouro alemão de lei de 18 quilates. Finalmente, aplicou-se resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluída em tricloroetileno por pincelagem e em concentração a 7 por cento, para proteção das superfícies douradas.

A fixação das superfícies policromadas e douradas da pintura do teto da capela-mor foi executada por intermédio de um adesivo aplicado com espátula metálica, sobre o qual se sobrepôs resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluída a 10 por cento com hidrocarboneto aromático. As pranchas de madeira do teto foram levantadas para acesso ao tardoz, tendo sido removidos os caixotones das duas fileiras transversais junto ao arco do cruzeiro, devido ao estado de ruína em que se encontravam.
Procedeu-se à revisão e reforço de estruturas, nomeadamente os elementos fraturados, a destacar ou já destacados, à união de fendas e juntas abertas e à substituição da madeira apodrecida. Realizou-se a desmontagem de elementos volumétricos em vias de destacamento por via mecânica, seguindo-se a fixação por meio de elementos metálicos inoxidáveis e com aderência através de resina do tipo acetato de polivinilo e aperto mecânico com grampos. As reintegrações de lacunas volumétricas de menor dimensão, designadamente na moldura de remate da sanca do teto, foram realizadas com adesivo endurecedor.
Através de pulverização e injeção de inseticida/fungicida executou-se o tratamento de imunização curativa e preventiva contra insetos xilófagos e microrganismos, após o qual se efetuou a consolidação e reforço das zonas de madeira fragilizada e com fraca resistência mecânica.
Esta foi realizada por injeção e pincelagem de resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluído em solvente com volatilidade média e em concentrações crescentes de 8, 15 e 20 por cento, na proporção indicada para os diferentes graus de degradação.
Nos elementos metálicos existentes foi removida mecanicamente a oxidação superficial através da aplicação de ácido tânico, dissolvido em água destilada e etanol, protegido com verniz antioxidante.
Relativamente ao teto, efetuou-se a substituição e colocação de dez novos barrotes na estrutura de sustentação e reforçaram-se as fixações.
Dois caixotones, que estavam totalmente degradados, foram substituídos por novos, confecionados em contraplacado marítimo, completando-se o trabalho por uma pintura com pigmentos aglutinados em resina acrílica.
Recolocou-se, ainda, o fecho da abertura de acesso ao tardoz e fez-se uma limpeza a fundo, por pincelagem e aspiração, de todas as sujidades e poeiras não aderentes, através de trinchas de cerdas macias e aspiração controlada.
A policromia foi limpa com o solvente tricloroetileno para remoção de purpurinas e, nas zonas de mais difícil remoção, recorreu-se a uma mistura de dimetilformamida com tolueno em concentração de 25 e 75, respetivamente.

As lacunas policromadas e douradas foram preenchidas e niveladas com gesso acrílico e com papel abrasivo de granulometria entre 100 e 150, respetivamente.
Para eliminar a interferência na leitura estética que as lacunas douradas e policromadas provocavam no conjunto, efetuou-se a reintegração cromática com recurso a técnicas de abstração de cor e mimetismo, para a qual se empregaram pigmentos aglutinados em resina acrílica.
No que se refere ao douramento, e dado que a zona dourada da primeira fila do teto estava bastante deteriorada, houve necessidade de redourar, através da técnica a mordente com ouro alemão de lei de 18 quilates, após a limpeza das superfícies com preparação e bollus.
Para harmonizar a coloração, provocou-se o desgaste e patine da superfície intervencionada com raspadores e velaturas de tom castanho escuro.
Finalmente, nas superfícies douradas aplicou-se resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluída em tricloroetileno, por pincelagem e em concentração a 3 por cento. Nas superfícies policromadas aplicou-se um verniz acrílico mate.
Na pintura da porta da sacristia fixaram-se as superfícies policromadas e douradas em destaque, por intermédio de um adesivo assente com espátula metálica, sobre o qual foi aplicada uma resina acrílica do tipo copolímero de etilo metacrilato, diluída a 10 por cento com hidrocarboneto aromático.

A madeira recebeu uma imunização curativa e preventiva contra insetos xilófagos e microrganismos, aplicada por pulverização e injeção de produto inseticida/fungicida.
A oxidação superficial dos elementos metálicos existentes foi removida com a aplicação de ácido tânico, dissolvido em água destilada e etanol, protegido com verniz antioxidante.
A porta foi objeto de desmontagem e remontagem para acerto de desníveis e fecho de juntas, procedendo-se à limpeza a fundo por pincelagem e aspiração de todas as sujidades e poeiras não aderentes, por intermédio de trinchas de cerdas macias e aspiração controlada.
As superfícies policromadas foram limpas com acetona, por meio de cotonetes e emplastros de algodão embebidos no respetivo solvente. As lacunas policromadas e douradas e o nivelamento dos preenchimentos foram regularizadas com recurso a gesso acrílico e papel abrasivo de granulometria entre 100 e 150, respetivamente. Para proteção, aplicou-se uma camada de verniz acrílico mate.
As pinturas murais das janelas foram objeto de uma intervenção que envolveu a remoção de repintes de cal por bisturi, o preenchimento de juntas das janelas do alçado sul, a limpeza superficial de sujidades, a limpeza química das superfícies policromadas, a reintegração cromática e a aplicação de camada de proteção.